sexta-feira, 18 de julho de 2014

O mundo a seus pés


Em suas lágrimas refletiam um mundo de esperança. Tinha pitadas de ressentimento, orgulho e dor. Tudo que aprendera até lá foi sobreviver a guerras frias. Não sabia como se mover depois de tudo que ocorrera diante de seus olhos.
A lágrima caiu.
Quando você tem calor no coração, derrete até as geleiras mais profundas. Aquelas geleiras que parecem um cubo de gelo, mas escondem os maiores icebergs dos oceanos.

Após enfrentar os animais mais selvagens da África, ela aprendeu a domá-los. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Gosto de café amargo

Hoje de manhã, bebi um café amargo. Foi tão difícil de engolir quanto à verdade nua e crua. Corrói pelo nosso corpo e se entranha, estranha. O gosto é amargo e viciante. Quem prova café não gosta de mentiras. Palavras deitam-se e rolam. Mentira é o açúcar que adoça, vicia, mas não sacia.
                Pela janela o sol refletia um instante de horror. O sol tinha gosto de café amargo para quem se escondia. Aprisionava os engravatados, encoleirava os cães e punham um sorriso amarelo em meninos de escola. A felicidade é amarga.
                Minutos de solidão a cada segundo que o relógio marcava. Cada momento de felicidade era instantâneo, como um café amargo.
                A desilusão aparecia em cada coração partido. A morte aproximava-se em cada leito vazio. Não se pede mais por um socorro. Uma quinta sofrida, como uma manhã chuvosa, como um café amargo.

                Cada pedido de esmola é um grito de socorro. Um grito que não vemos. Desloca-se pelo vento e são ignorados por cada um que carrega dentro de si o gosto do café amargo.

Reflexão

Hoje não escreverei uma crônica, mas, sim, uma reflexão, pois preciso desabafar.
De uns tempos para cá, tenho passado por momentos pesados,  provavelmente só eu entenderia porque sou daquelas que transforma uma baratinha  em uma voadora e devoradora de cérebros humanos. Mas cada um sente de uma forma e não dá para comparar nada. Os sentimentos são infinitos a cada um de nós.
Enfim, tudo por que passei, extremamente pessoal, deixou-me no fundo, despedaçada, achando que o mundo tinha acabado. Graças a Deus, tenho uma família e amigos incríveis que não me deixaram no chão e me ajudaram a catar os pedaços.
Apesar de que hoje eu ainda esteja passando por alguns buracos, posso dizer com convicção que estou atravessando-os com muito mais firmeza.
Há pouco tempo, eu era uma pessoa que se estressava facilmente e me deixava levar por pouca coisa. Hoje em dia, não virei uma monja budista, mas coisas pequenas não me estressam tão rápido e aguento as dores com mais resistência.
Ainda sei que vou passar por várias coisas e só galguei um degrau da minha vida, mas o fiz com coragem e maturidade, podendo encarar agora os outros com mais bagagem na mente e leveza no corpo.
Devo agradecer às pessoas que estiveram ao meu lado. E se um dia me disseram  que ter um amigo já é bastante, eu rebato, dizendo que tenho mais amigos que largaram suas dores para me ajudar, assim como faria por eles.
Finalmente, um novo recomeço dentro de mim!

Futebol, Brasil e política

Estou meio atrasada no quesito Copa do Mundo, mas a questão é porque eu não aguento mais ouvir sobre isso. Não sei bem o porquê, afinal  tenho ido no Fifa Fan Fest vários dias. E com certeza, está tendo muita copa, tanta copa que tem copa em Copa.
Você entra no metrô e não  basta ver várias propagandas do Neymar (porque a copa do Brasil só tem Neymar. E francamente, eu não vou com a cara dele. Baixa a bola). O metrô também está no clima e avisa a chegada de algumas estações como se fosse um narrador de futebol  (pelo menos, não é o Galvão).
Depois de muito calcular, no mínimo, 80% dos jornais estão falando sobre a Copa, Neymar, Gringos. Acho que estão  precisando de mais matéria. Como se não bastasse, cá estou eu, escrevendo sobre o mesmo assunto.
Falando em gringos, o Rio não está mais para cariocas. Você anda na rua e só vê estrangeiros, e os preços são  para eles que  vem de fora . Uma das poucas coisas que continua bem brasileira são os assaltos. Estes não entraram de férias.  Até que o clima  tem nos dado uma trégua, em pleno inverno com sol bonito e calor agradável.
Assim que acabar a Copa, lá vamos nós para as propagandas políticas, falsas promessas e um pouco mais de protesto. Aí, sim, quero ver quem vai torcer para o Brasil.